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Ministro fala sobre Qualidade do ambiente construído e Construção sustentável
Evidentemente o senhor deve ter visto o documentário do Al Gore, ?Uma Verdade Inconveniente?. Na sua opinião, o filme exagera ou mostra mesmo a realidade?
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A agenda do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem sido nos últimos meses minha prioridade. Mas tenho todo o interesse em ver o filme, que recebeu o Oscar de Melhor Documentário e, que além de tratar de assunto de interesse de toda a sociedade e merecer atenção das autoridades, tem as credenciais do ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore.
A responsabilidade pelo aquecimento global, antes de ser atribuída aos países, não deveria ser tratada pelos segmentos produtivos?
As ações para enfrentar o problema e suas conseqüências dependem de transformações nas cadeias produtivas. É possível saber qual o papel de alguns segmentos, como os do cimento e aço, que possuem melhor documentação. Mas da construção como um todo, é necessária uma investigação mais aprofundada, Precisamos determinar o impacto da mudança climática para as diferentes condições brasileiras. Os produtos resultantes da construção são os maiores de qualquer indústria: edifícios, estradas, pontes, viadutos, casas, o que consome necessariamente muito material. O setor é o maior consumidor individual de recursos naturais, gera poluição.
Qualquer sociedade seriamente preocupada com a questão ambiental deve colocar o aperfeiçoamento da construção civil neste cenário. Em primeiro lugar, é preciso ponderar o peso do macro-complexo da construção civil na economia, já que o setor responde por 40% da formação bruta de capital. Também sua participação decisiva na massa de emprego faz com que qualquer política ambiental deva necessariamente incluir o setor.
De início, a questão da sustentabilidade passou como moda na construção civil e deu reconhecimento a muitos arquitetos "verdes". Hoje, o assunto do ambiente construído já está assimilado pela grande maioria dos empresários do setor. A questão, agora, seri
A sociedade está atenta. A questão agora é criar condições, favorecer as transformações nos processos de produção e consumo. Isso é mais complicado do que regulamentação. Exige conhecimentos novos e compreensão maior das conseqüências.
O desenvolvimento sustentável deixou de ser bandeira exclusiva de ecologistas e constitui preocupação do setor da construção civil no mundo inteiro. Uma das avaliações já consolidada é de que a pior forma de desperdício é a falta de qualidade de materiais. O Programa Brasileiro de Qualidade Produtividade do Habitat (PBQP-H) vinculado ao Ministério das Cidades vem trabalhando nisso. Os Programas Setoriais da Qualidade (PSQs) no âmbito do PBQP-H constituem importante instrumento. O monitoramento dos padrões de qualidade e o cumprimento das normas técnicas de produção dos materiais de construção, implicando redução de desperdício de matéria prima, diminuição na produção de resíduos e melhor aproveitamento dos insumos com reciclagem têm impacto direto na diminuição de desperdício. Um exemplo que pode ser citado é o PSQ das bacias sanitárias com redução de 40% no consumo de cada aparelho e diminuição de até 15% no consumo diário de água por habitação. Outra ação do programa é implementar o uso racional da água em edifícios, com resultados significativos para o meio ambiente. Outro é o de metais sanitários, com aumento da conformidade do requisito estanqueidade e dispersão do jato de torneiras e registros, possibilitando reduzir perdas de água por vazamento, correspondentes a até 15% da demanda de água por habitação.
Os cinturões verdes, as matas urbanas e mesmo as áreas arborizadas têm um papel muito importante no controle do clima das cidades. Como garantir moradia e preservar essas áreas tão vitais?
Não há contradição necessariamente entre a moradia e a preservação do meio ambiente. As regras urbanas para usar e ocupar os espaços das cidades atualmente visam compatibilizar e harmonizar a moradia com o verde e a natureza. Mesmo no mercado imobiliário cada vez mais há mais conscientização e adoção do conceito de sustentabilidade em empreendimentos e lançamentos imobiliários.
Arborização (na verdade, superfícies verdes) certamente são importantes e precisam ser incentivadas. Depende muito dos municípios, da legislação.
Sem dúvida que os compromissos formais são relevantes, na medida em que o setor seja capaz de corresponder a esses pactos. Podemos citar o CIB (lnternational Council for Building Research and Documentation) que colocou entre suas prioridades o desenvolvimento sustentável. Também a European Construction Industry Federation que possui agenda específica para tema (INDUSTRY & ENVIRONMENT, 1996). A Civil Engineering Research Foundation (CERF), entidade dedicada a promover a modernização da construção civil dos Estados Unidos, realizou pesquisa entre 1.500 construtores, projetistas e pesquisadores de todo o mundo (BERNSTEIN, 1996), visando detectar quais as tendências consideradas fundamentais para o futuro do setor. Esses são apenas alguns exemplos internacionais de fóruns nos quais o tema tem sido discutido. No Brasil foi criado, agora, em abril, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, importante iniciativa do setor.
O Brasil deve entrar, em breve, num esperado ciclo de crescimento. Esses ciclos, infelizmente, sempre representam uma maior exploração dos recursos naturais e uma acentuada produção de poluição. Como um país do chamado Terceiro Mundo pode crescer sem agr
A estratégia de crescimento discutida no Brasil, acompanhando o debate contemporâneo internacional sobre modelos de desenvolvimento, está pautada pela agenda da sustentabilidade. E se define por um modelo distinto dos anos 60 e 70, quando houve crescimento baseado na indústria de bens e automobilística.O período foi de crescimento concentrador de renda e predatório.
A experiência positiva de várias cidades brasileiras, inclusive premiadas em Encontro das Nações Unidas para assentamentos humanos ? Habitat, mostra que outro modelo de crescimento é viáve, baseado no planejamento e na gestão urbana e ambiental participativa. O modelo produz cidades com equilíbrio no uso e ocupação do solo urbano e rural, com ordenamento territorial sustentáve,l equilibrando produção, consumo, habitação, transporte coletivo, saneamento ambiental e preservando a natureza.
Em larga escala essa perspectiva se traduz no esforço pela construção conjunta entre poder público e sociedade civil de uma nova política nacional de desenvolvimento urbano.
Nosso país já possui um vigoroso parque industrial, com muitos fabricantes de produtos para construção civil, sobretudo os setores cimenteiro e siderúrgico. Essas empresas estão lidando bem com as preocupações ambientais?
A indústria cimenteira brasileira tem feito esforços significativos, adotando práticas ecologicamente corretas. A siderurgia também é muito moderna, tendo boa parte da produção baseada em reciclagem, reduzindo, assim, a emissão de gases que produzem o efeito estufa.
As políticas para redução do aquecimento global devem partir de acordos internacionais ou, na esfera nacional, cada país pode fazer sua parte? Como o Brasil, independentemente das ações internacionais, poderia promover uma significativa redução da emissão
O Brasil tem contribuído para reduzir o efeito estufa, por exemplo, com a produção e uso de álcool combustível, cimentos de baixa emissão, energia gerada por hidroelétricas, aço reciclado. Mas, certamente, podemos e devemos fazer mais. A experiência do álcool mostra que o domínio dessas tecnologias melhora a competitividade da indústria brasileira.
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Fonte: Entrevista para a Revista Construção Mercado. Editora PINI, São Paulo
Ministério das Cidades
Assessoria de Comunicação
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